
A banda que deixou de roubar o pote de ouro do fim do arco íris porque as moedas eram todas da mesma cor
Hoje eu vou falar da 'banda' Cine, que mesmo já tendo sido vaiada reconhecida o suficiente, continua trazendo mais cor pros nossos dias cinzentos (r). As causas do 'sucesso' deles entre a massa adolescente (que sobe em árvores e se alimenta de bananas, just like Edward Cullen), de atitude frenética são meio óbvias. Primeiro pelo modo como se vestem; claro que misturar azulejos Athos Bulcão com frutas da Carmen Miranda não é lá um grande exemplo, mas ao pensar na quantidade de adolescentes que investiram dinheiro em calças skinnies coloridas e tênis feitos com retalhos de camurça colorida da Nike, achando que 'essa moda ia pegar', tudo fica mais claro. Como já falei mais de uma vez, brasileiro gosta de tudo em segunda chamada. O Cobra Starship no pegava pesado no visual 'semáforo ambulante' (e investia em batida eletrônica, just like Cine) no início de 2OO7, aí quase três anos depois, vira TEMDEMSIA no Brasil. Me pergunto o que é pior: a banda em si ou as criaturas cuja crueldade em relação ao mundo é grande a ponto de se autodenominarem fãs bandacineanos. Porra, você pega alguns macacos (me refiro a macacos comuns, nada daqueles bichos treinados e inteligentes - eles teriam uma noção do ridículo grande demais para se submeterem a tal cena), exagera nas vestes de cores primárias ou simplesmente berrantes, os convence de que são músicos e não ícones de placa de pastelaria e joga-os num palco. Aí torce pro povo aprovar. E OS IMBECIS APROVAM!
Tudo bem que a política do pão e circo não falhou nos últimos dois mil anos, e que colocar os termos 'circo' e 'cine' na mesma frase é um dos maiores pleonasmos possíveis. Contudo, num passado far far away, música já foi sinônimo de cultura. Mas cadê a cultura? Daqui a dez anos, quem vai ter orgulho em dizer que competia com os amigos pra ver quem usava mais cores/estampas ao mesmo tempo e ouvia, er, Cine?
Os emos sofriam humilhação pra caralho, mas honestamente, ouvir MCR e nAuM XeR ComPreeEndiDoHhH (sem falar que os emos suicidavam, diminuindo seu número no mundo, diferente dos bandacineanos que amam a vida em cores) causa vergonha muito menor do que gostar de uma banda cujo single se chama GAROTA RADICAL. Radical é uma palavra muito feia, parece aquelas gírias dos anos noventa que seu tio usa pra tentar conversar contigo num nível equilibrado (e ao tentar, só distancia mais as coisas).
Me preocupo tanto com o futuro do país que até me empenhei em selecionar um lugar adequado pra cada bandacineano descansar em paz.
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